Taiza Tosatt Eleoterio

Taiza Tosatt Eleoterio revela: Por que alguns adultos reproduzem, sem perceber, a forma como foram educados?

Yui Moritan
6 Min de leitura

Assim como aponta a psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio, repetir padrões de educação recebidos na infância é um dos fenômenos mais comuns e menos percebidos dentro da dinâmica familiar, já que grande parte do que aprendemos sobre criar filhos vem de modelos internalizados muito antes de qualquer decisão consciente sobre como educar.

Esses modelos funcionam quase como um roteiro invisível, formado ao longo de anos de convivência com os próprios pais, e costumam se manifestar justamente nos momentos em que menos esperamos, quando a reflexão consciente dá lugar a reações automáticas e imediatas.

Por que repetimos padrões que, muitas vezes, criticamos nos próprios pais?

É comum ouvir alguém dizer: “Eu jurei que nunca faria isso com meu filho” e, ainda assim, se flagrar reproduzindo exatamente aquele comportamento em um momento de cansaço ou estresse. Esse tipo de repetição não acontece por falta de intenção, mas porque certos padrões ficam gravados como referência automática de como agir diante de determinadas situações. A culpa que costuma acompanhar esse momento raramente ajuda; o que ajuda é entender por que aquele padrão específico continua tão presente.

Na avaliação de Taiza Tosatt Eleoterio, esses padrões costumam surgir justamente nos momentos de maior pressão emocional, quando há menos tempo para refletir antes de agir, o que explica por que reações automáticas tendem a se assemelhar tanto às que vivemos quando crianças, muitas vezes ligadas a um trauma na infância nunca devidamente elaborado. 

O papel da memória emocional nesse processo

Diferente da memória de fatos, a memória emocional guarda sensações e reações associadas a determinadas situações, mesmo sem os detalhes concretos do que aconteceu. É por isso que um simples tom de voz, um gesto ou uma expressão facial podem despertar reações desproporcionais, ligadas a experiências vividas décadas antes, mesmo quando a pessoa não consegue nomear, de imediato, de onde vem aquela reação.

Como observa Taiza Tosatt Eleoterio, essa memória emocional funciona de forma independente da vontade consciente, o que explica por que apenas “decidir ser diferente” dos próprios pais nem sempre é suficiente para interromper certos padrões de comportamento na hora em que eles realmente importam.

Como identificar quais padrões estão sendo repetidos?

Reconhecer um padrão repetido geralmente exige um momento de pausa depois de uma reação intensa, revisitando a situação com mais calma e se perguntando de onde aquela resposta específica pode ter vindo. Esse exercício, embora simples, costuma revelar conexões surpreendentes com a própria infância, muitas vezes ligadas a situações que a própria pessoa já havia esquecido conscientemente.

Taiza Tosatt Eleoterio pondera que esse tipo de reflexão não deve ser feito com espírito de autopunição, mas de curiosidade genuína sobre a própria história, já que compreender a origem de um padrão é o primeiro passo real para poder escolher agir de forma diferente.

Por que apenas “querer ser diferente” nem sempre é suficiente?

Muitos adultos entram na parentalidade com o desejo consciente de romper padrões que consideram prejudiciais, mas se frustram ao perceber que, sob pressão, acabam repetindo exatamente aquilo que queriam evitar. Essa frustração é compreensível, mas não significa fracasso pessoal, e sim que mudar um padrão profundamente enraizado leva mais tempo do que uma simples decisão consciente.

Mudar um padrão profundamente enraizado exige mais do que boa intenção: exige repetição consciente de novas respostas, ao longo do tempo, até que elas também se tornem automáticas, substituindo gradualmente o padrão anterior. Na prática, esse processo costuma ser mais lento do que se espera, e as recaídas ocasionais fazem parte natural do caminho, não uma prova de que a mudança não está acontecendo.

O papel da psicanálise nesse processo de reconhecimento

A escuta psicanalítica ajuda a trazer à consciência padrões que, até então, operavam de forma automática, permitindo que a pessoa compreenda de onde vêm certas reações e, a partir dessa compreensão, comece a construir novas formas de responder às mesmas situações, em vez de repetir, sem perceber, o mesmo roteiro de sempre.

Taiza Tosatt Eleoterio ressalta que esse processo raramente é rápido, mas cada pequena mudança percebida, como reagir de forma diferente em um momento que antes seguiria o padrão antigo, já representa um avanço real na construção de uma nova forma de se relacionar com os próprios filhos, mesmo quando ainda existem escorregões no meio do caminho.

Como transformar esse reconhecimento em mudança prática?

Reconhecer um padrão repetido é apenas o começo; sustentá-lo na prática exige paciência com o próprio processo, já que recaídas ocasionais fazem parte natural da mudança e não significam que o esforço até ali foi em vão. Celebrar pequenos avanços, em vez de focar apenas nos deslizes, ajuda a manter o ânimo necessário para continuar esse processo ao longo do tempo.

Por fim, Taiza Tosatt Eleoterio avalia que pedir desculpas aos filhos quando um padrão antigo se repete, em vez de negar ou minimizar o ocorrido, já é, por si só, uma forma diferente de educar, diferente daquela recebida, e um passo real na construção de um ambiente familiar mais consciente, capaz de ser sentido pelos filhos mesmo antes de qualquer mudança maior acontecer.

Compartilhe esse artigo