As empresas familiares estão passando por uma transformação estrutural importante: a redução do modelo centralizador de gestão, historicamente concentrado na figura do fundador. O advogado e filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, Rodrigo Gonçalves Pimentel, analisa como essa mudança vem redefinindo a forma como decisões estratégicas são tomadas e como o patrimônio empresarial é preservado ao longo das gerações.
Durante décadas, o modelo centralizado foi eficiente para impulsionar crescimento, especialmente em fases iniciais do negócio. A agilidade decisória e o controle direto permitiram que muitas empresas familiares se consolidassem no mercado. No entanto, o aumento da complexidade dos negócios e a expansão das estruturas patrimoniais tornaram esse formato menos sustentável.

A centralização excessiva pode se tornar um fator de risco quando não há mecanismos de continuidade e distribuição de responsabilidades. Por essa perspectiva, confira no artigo a seguir mais sobre o tema e entenda como pode se aplicar na sua empresa!
O peso da centralização na gestão familiar
Em muitas empresas familiares, o fundador concentra não apenas a propriedade, mas também todas as decisões estratégicas. Conforme observa Rodrigo Gonçalves Pimentel, esse modelo funciona bem em ambientes simples, mas tende a se tornar um gargalo à medida que a empresa cresce.
A ausência de estruturas intermediárias de decisão pode dificultar a adaptação a novos cenários econômicos e aumentar a dependência de uma única visão de negócios, com isso, esse tipo de concentração também pode impactar a preparação das novas gerações, que acabam tendo pouca participação em processos decisórios relevantes.
A profissionalização como resposta natural
A profissionalização da gestão surge como resposta direta a esse desafio. Na visão de Rodrigo Gonçalves Pimentel, esse movimento não significa retirar a família da condução dos negócios, mas sim estruturar melhor as funções e responsabilidades. Isso inclui a criação de processos mais claros, definição de indicadores de desempenho e maior integração entre membros da família e gestores profissionais. Por consequência, essa mudança aumenta a eficiência e reduz riscos operacionais dentro dos processos e das metas colocadas para a empresa.
A importância da governança na descentralização
A governança exerce papel fundamental na transição do modelo centralizador para estruturas mais distribuídas. Conselhos consultivos e de administração ajudam a organizar decisões e ampliar a visão estratégica do negócio.
No entendimento de Rodrigo Gonçalves Pimentel, esses mecanismos permitem que diferentes perspectivas sejam consideradas antes de decisões importantes. Além disso, a governança contribui para reduzir conflitos internos e aumentar a previsibilidade das decisões.
O papel das novas gerações
A entrada das novas gerações nas empresas familiares também impulsiona essa transformação. Rodrigo Gonçalves Pimentel ressalta que sucessores geralmente trazem experiências externas e visões mais diversificadas de gestão. Essa diversidade favorece a construção de modelos mais colaborativos e menos dependentes de uma única figura central. Com isso, a transição entre gerações tende a ser mais estruturada e menos suscetível a rupturas.
O legado como estrutura, não como pessoa
A principal mudança observada pelo advogado, Rodrigo Gonçalves Pimentel, é a transição do legado pessoal para o legado institucional. Em vez de depender exclusivamente da figura do fundador, as empresas passam a construir estruturas capazes de sobreviver a mudanças de liderança.
No fim, esse modelo fortalece a continuidade empresarial e reduz vulnerabilidades associadas à centralização. Logo, o verdadeiro legado não está apenas na criação do negócio, mas na capacidade de garantir sua permanência ao longo das gerações.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
