Daugliesi Giacomasi Souza

Cores terrosas voltaram: o fim do minimalismo branco na decoração

8 Min de leitura

No cenário atual do design de interiores, a paleta cromática das casas brasileiras atravessa uma mudança perceptível a olho nu. A fundadora da DGdecor, Daugliesi Giacomasi Souza, acompanha esse movimento de perto, presente tanto em apartamentos compactos quanto em casas de veraneio espalhadas pelo país. Depois de um longo período de predomínio do branco frio e das superfícies minimalistas, os tons terrosos assumem papel central em projetos residenciais e comerciais no Brasil. 

Nas próximas linhas, você vai entender por que essa virada cromática ganhou força e como aplicá-la com equilíbrio em qualquer tipo de ambiente.

A virada das paletas frias para os tons terrosos

O tom Cloud Dancer, um branco quente escolhido pela Pantone como referência do ano, dialoga com uma paleta ampla de terrosos, ocres e verdes profundos que dominaram vitrines e feiras de decoração ao longo do primeiro semestre. Na Abimad, principal feira de móveis de alta decoração da América Latina, realizada em São Paulo, estofados em terracota e verde musgo, além de peças em madeira e pedra, tomaram os estandes com destaque sobre os neutros frios que vinham prevalecendo nos anos anteriores.

Marcas de tinta e de revestimento também reformularam seus catálogos, priorizando argila, avelã e caramelo natural como cores de base para paredes e grandes superfícies. O movimento se espalhou rapidamente por vitrines de mobiliário, ateliês de arquitetura e perfis de decoração nas redes sociais, consolidando uma preferência que já não se restringe a nichos específicos do mercado.

Na avaliação de Daugliesi Giacomasi Souza, projetos antes pautados por cinzas e brancos gelados passam a incorporar argila, caramelo e avelã como cores estruturais, e não apenas como detalhes pontuais de acabamento. Essa mudança acompanha uma busca maior por ambientes que transmitam acolhimento sem abandonar a sofisticação, uma combinação que os tons frios raramente conseguiam sustentar por conta própria. Clientes que antes evitavam cor nas paredes começam a testar tons terrosos em áreas de maior permanência, como salas de estar e quartos, justamente onde o convívio familiar acontece com mais frequência.

Como equilibrar tons terrosos sem pesar o ambiente?

A adoção de uma paleta terrosa exige atenção à proporção entre cores de base e cores de destaque. Paredes em tons claros, como areia ou bege quente, funcionam bem como fundo neutro, enquanto uma poltrona em terracota ou um tapete em verde-oliva introduzem profundidade sem comprometer a sensação de amplitude, especialmente em cômodos pequenos. A combinação entre madeira clara, tecidos naturais e acabamentos mate ajuda a evitar que o ambiente pareça pesado ou escuro, mesmo quando várias camadas de cor são somadas ao projeto. Iluminação em camadas, unindo luz geral, pontos de destaque e luminárias de apoio, reforça essa sensação de equilíbrio e permite ajustar a intensidade da paleta conforme o horário e o uso do espaço.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Conforme destaca Daugliesi Giacomasi Souza, a luz natural do ambiente deve orientar a escolha da intensidade cromática antes de qualquer decisão definitiva. Cômodos muito iluminados suportam tons mais escuros, como azul profundo ou marrom queimado, ao passo que espaços com pouca entrada de luz ganham mais quando recebem terrosos claros e quentes, que ampliam a percepção de espaço em vez de reduzi-la. Testar uma parede de destaque antes de pintar todo o cômodo continua sendo a recomendação mais segura para quem deseja experimentar a tendência sem grandes riscos financeiros ou estéticos.

Do minimalismo branco ao retorno da matéria natural

Durante boa parte da última década, o minimalismo escandinavo e suas superfícies claras dominaram o imaginário da decoração contemporânea, associando sofisticação a ambientes quase assépticos e livres de qualquer excesso visual. Móveis de linhas retas, paredes brancas e ausência quase total de textura formaram um padrão replicado em incontáveis projetos, muitas vezes esvaziando o espaço de identidade própria. Esse ciclo parece estar em transformação, e a mudança não se limita à cor das paredes, alcançando também a escolha de materiais e a forma como cada ambiente é composto.

Madeira, mármore, cerâmica com acabamento tátil e pedra natural ganham protagonismo justamente por envelhecerem com naturalidade e carregarem marcas de uso, em contraste direto com a superfície lisa e impessoal que caracterizou o período anterior. De acordo com Daugliesi Giacomasi Souza, esse retorno à matéria natural acompanha uma demanda maior por ambientes que contem histórias e reflitam identidade, em vez de reproduzirem fórmulas padronizadas repetidas de projeto para projeto. Peças com textura irregular, superfícies com pequenas imperfeições e tons que variam ligeiramente entre uma peça e outra passam a ser vistas como qualidade, não como defeito.

Por que os tons terrosos comunicam bem-estar?

A psicologia por trás dessa preferência cromática tem base em pesquisas sobre biofilia, que associam a presença de elementos naturais dentro de casa à redução de estresse e ansiedade. Participantes de estudos recentes sobre o tema relataram maior sensação de calma depois de incorporar plantas e materiais naturais aos ambientes em que vivem, o que ajuda a explicar por que cores que remetem a terra, argila e vegetação se tornaram sinônimo de acolhimento. Esse tipo de resposta emocional explica também por que a paleta terrosa se adapta bem a diferentes públicos, do jovem que decora o primeiro apartamento à família que busca renovar uma casa inteira sem perder a sensação de lar já construída.

Sob a perspectiva de Daugliesi Giacomasi Souza, um projeto bem-sucedido em tons terrosos não busca apenas seguir uma paleta em alta, mas criar uma experiência sensorial coerente com o modo de viver de cada família, unindo cor, textura e iluminação em uma composição única. Cada ambiente pede uma leitura própria, considerando rotina, luz disponível e função do espaço, o que torna a aplicação dessa tendência um exercício de personalização e não uma fórmula pronta para ser repetida sem critério.

Quem deseja repensar a paleta da própria casa encontra na DGdecor um ponto de partida para transformar essas referências em um projeto autoral. As inspirações completas de Daugliesi Giacomasi Souza podem ser acompanhadas no Instagram @dgdecor.construir, onde novos projetos são compartilhados semanalmente.

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