O engenheiro ambiental Felipe Schroeder dos Anjos gosta de lembrar que, quando funciona bem, um aterro sanitário é praticamente invisível para o cidadão. Não há mau cheiro, não há contaminação do solo, não há fumaça. Essa invisibilidade é, na verdade, o resultado de uma engenharia sofisticada e é justamente nela que ele concentra parte de seu trabalho, defendendo que a disposição final de resíduos seja tratada com o rigor técnico de qualquer obra de infraestrutura de grande porte.
A camada que protege e seus limites
Felipe Schroeder dos Anjos chama atenção para um detalhe que muitas vezes escapa ao debate público: a eficiência das barreiras de proteção não é permanente. O sistema de cobertura, sendo a camada mais externa, está exposto às variações ambientais e perde eficácia com o tempo, o que pode aumentar as emissões fugitivas mesmo em aterros equipados com captação de biogás.
Esse é um argumento técnico relevante. Se o aterro, por melhor que seja projetado, tende a apresentar limitações ao longo das décadas, faz sentido reduzir ao máximo o volume de resíduo enterrado, priorizando a reciclagem e a recuperação energética antes que o material chegue à disposição final. O aterro deixa de ser o destino padrão e passa a ser a última etapa de uma cadeia bem planejada.
Do passivo ao ativo
Mesmo assim, os aterros existentes guardam oportunidades. A captação do biogás gerado pela decomposição da fração orgânica permite transformar um passivo ambiental em fonte de energia renovável, reduzindo emissões de gases de efeito estufa e gerando receita. Para Felipe Schroeder dos Anjos, requalificar aterros com sistemas de aproveitamento energético é uma das formas mais eficientes de extrair valor de uma infraestrutura que já existe.
Além da geração de energia elétrica, o biogás pode ser purificado e convertido em biometano, um combustível renovável com potencial para abastecer veículos, indústrias e até redes de distribuição de gás. Essa versatilidade amplia as possibilidades de aproveitamento econômico dos aterros e fortalece a transição para uma matriz energética mais sustentável e diversificada.

Outro benefício relevante está na redução dos impactos ambientais associados à emissão descontrolada de metano, gás com elevado potencial de aquecimento global. Ao capturar e utilizar esse recurso de forma planejada, os municípios conseguem combinar ganhos ambientais, eficiência operacional e novas fontes de receita, tornando os aterros parte de uma estratégia mais moderna e inteligente de gestão de resíduos.
Planejamento de longo prazo
A mensagem central de Felipe Schroeder dos Anjos é que o aterro sanitário precisa ser pensado dentro de um sistema integrado de gestão de resíduos, e não como solução isolada. Projetar, operar e monitorar essas estruturas com excelência e, ao mesmo tempo, trabalhar para diminuir o que chega até elas é o equilíbrio que define a infraestrutura ambiental responsável. A engenharia que não se vê é, paradoxalmente, a que mais protege.
Esse planejamento exige uma visão estratégica que considere o crescimento populacional, as mudanças nos padrões de consumo e a evolução das tecnologias disponíveis para tratamento e reaproveitamento de resíduos. Sem essa perspectiva de longo prazo, cidades correm o risco de enfrentar rapidamente a saturação de seus sistemas de destinação, elevando custos e ampliando desafios ambientais que poderiam ser evitados com antecipação e gestão eficiente.
Felipe Schroeder dos Anjos considera que investir em planejamento significa também criar condições para que políticas de reciclagem, logística reversa e recuperação energética avancem de forma coordenada. Quando todas as etapas da gestão de resíduos são tratadas como partes de uma mesma estratégia, torna-se possível reduzir impactos ambientais, otimizar recursos públicos e construir cidades mais preparadas para os desafios das próximas décadas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
